Para não perder a ligação que teria ao longo de minha vida com a Rua Tamandaré, fiquei com minha mãe na casa de minha avó. Ali fui amamentado e respirei daquele ar especial, que inflou por alguns dias meus pulmões.

PANORAMA

            Cidade de muitas árvores, lembro-me dos três grandes cinemas, que hoje  não existem mais, um que se localizava na Av. Sampaio Vidal, era o cine Marília, hoje é o banco  Santander, o cine Peduti, na rua quatro de abril hoje é um estacionamento e o flor pastel bem ali perto, com seus pasteis e panquecas doces, o cine São Luiz na 9 de julho, agora uma igreja evangélica.

            A Tílibra uma rede de papelaria e presentes, na principal avenida e ali mesmo os poucos prédios da cidade.

            A Mesbla, grande loja de departamentos que se localizava na esquina da rua 9 de julho, com a Mauá, com suas grandes vitrines que nos finais de semanas ficavam abertas para as famílias irem olhar sua exposição.

            O Pé de manga, um bar famoso em seu centro havia uma grande mangueira, ali perto o barzinho zero grau com suas famosas batidas, não lembro-me mas ouvi falar do bar Bambu que servia até refeição.

            Marília contava com dois times, começou com o São Bento que depois de um bom tempo terminou, e o nosso querido MAC que permanece até hoje, levando o nome de nossa cidade pelo Brasil todo.

            A matriz São Bento com suas cores azul e branca, em sua praça nos finais de semana a fonte luminosa sonora era atração para as famílias.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

            Mas por que lembrar desse início? Afinal era mais um na multidão que nascia para aumentar a população de minha querida Marília.

            E o que significava a Rua Tamandaré? Nada, apenas uma rua de um bairro conhecido por Morro do Querosene; um bairro pobre e de pessoas simples; nada tinha de importante àquela rua; mas, para mim tinha muita importância, pois nela praticamente me criei.

            Logo que me conheci por gente quis viver com minha avó, ela vivia só, por isso quis fazer companhia a ela.

            Meus pais deixaram, pois seria difícil me segurarem; com meus 6 anos fui viver com minha avó; fui morar na Rua Tamandaré.

            Ali aprendi quase tudo da vida, pois vivíamos em dois cômodos de “parede meia” (uma casa grande, dividida para abrigar várias famílias), eram várias casas num mesmo terreno, todas elas abrigavam famílias; seria o equivalente hoje as favelas, por isso carinhosamente no título desta crônica dei o nome carinhoso de “favelinha”.

            Na favelinha vivíamos como uma grande família, uma miscigenação interessante; uma grande escola de vida.

            Hoje ao me lembrar da favelinha, da Rua Tamandaré, sinto saudades e orgulho, pois vim de um lugar muito pobre, mas, de uma dignidade indescritível.

            Muitas vezes em minhas divagações, penso que se todos os políticos que hoje estão administrando (administrando?) Marília, tivessem feito estágio de vida na Rua Tamandaré, com certeza nossa cidade teria uma classe política séria e honrada; mas, eles não viveram na favelinha, eles talvez nem saibam onde fica a Rua Tamandaré.

Corbi® - 11/09/2006