Para não perder a ligação que teria ao longo de minha vida com a Rua Tamandaré, fiquei com minha mãe na casa de minha avó. Ali fui amamentado e respirei daquele ar especial, que inflou por alguns dias meus pulmões.
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VILA JARDIM Não nos é dado saber o dia de amanhã, e é por isso que somos sempre surpreendidos por situações que acarretam mudanças em nossas vidas. Por uma dessas situações é que aqui me encontro, nesta cidade maravilhosa! Quando aqui cheguei, em 1993, fui morar na Rua Lima e Costa, perto da antiga rodoviária. A casa não me agradava muito, mas o local era de fácil acesso a tudo, facilitava a minha vida. Hoje moro numa de suas vilas mais recentes e, como não tenho muito tempo para fazer caminhada, vou a pé para o meu trabalho duas vezes por semana. É muito bom receber o ar fresco e o sol da manhã. E assim, caminhando e meditando, vou seguindo o meu trajeto. Vou passando pelas ruas da Vila Jardim que eu admiro muito, pois têm nomes de flores, tais como: margaridas, açucenas, violetas , crisântemos... Isto é muito sugestivo, pois tenho a impressão de visualizá-las e ao mesmo tempo a sensação de estar aspirando o perfume delas. Fico até mais inspirada para escrever poemas - meu passatempo preferido. Já me acostumei nesta cidade, não penso em sair daqui. Fiz boas amizades, me engajei em trabalhos assistenciais ( e a mais beneficiada sou eu mesma). Marília é a minha cidade, meu recanto, meu refúgio... Benvinda Paixão – 14/09/2006 |
Mas por que lembrar desse início? Afinal era mais um na multidão que nascia para aumentar a população de minha querida Marília.
E o que significava a Rua Tamandaré? Nada, apenas uma rua de um bairro conhecido por Morro do Querosene; um bairro pobre e de pessoas simples; nada tinha de importante àquela rua; mas, para mim tinha muita importância, pois nela praticamente me criei.
Logo que me conheci por gente quis viver com minha avó, ela vivia só, por isso quis fazer companhia a ela.
Meus pais deixaram, pois seria difícil me segurarem; com meus 6 anos fui viver com minha avó; fui morar na Rua Tamandaré.
Ali aprendi quase tudo da vida, pois vivíamos em dois cômodos de “parede meia” (uma casa grande, dividida para abrigar várias famílias), eram várias casas num mesmo terreno, todas elas abrigavam famílias; seria o equivalente hoje as favelas, por isso carinhosamente no título desta crônica dei o nome carinhoso de “favelinha”.
Na favelinha vivíamos como uma grande família, uma miscigenação interessante; uma grande escola de vida.
Hoje ao me lembrar da favelinha, da Rua Tamandaré, sinto saudades e orgulho, pois vim de um lugar muito pobre, mas, de uma dignidade indescritível.
Muitas vezes em minhas divagações, penso que se todos os políticos que hoje estão administrando (administrando?) Marília, tivessem feito estágio de vida na Rua Tamandaré, com certeza nossa cidade teria uma classe política séria e honrada; mas, eles não viveram na favelinha, eles talvez nem saibam onde fica a Rua Tamandaré.
Corbi® - 11/09/2006